Há muito vinha pensando sobre assumir uma monossexualidade (homossexual) e os conflitos que a envolviam. Já tive muitas posturas diante a isso, já usei vários nomes para definir ou não minha sexualidade. Lembro que no começo eu costumava dizer ser uma pessoa que gostava de pessoas, e após 5 segundos acrescentava “do sexo feminino”. Eu fazia essa pausa porque dizer de forma curta e grossa “gosto de mulheres” implicava a palavra lésbica, que por sua vez, tinha também suas implicâncias. Ser lésbica era ser macho, feia, mal-amada que odiava homens, promíscua e vulgar. É difícil usar o termo lésbica quando ele traz amarrado aos pés trallhas e imundices. Porque se você termina a frase em “pessoas”, você é no mínimo, descolada.
O problema é que o preconceito, mesmo que de maneira diferente, que a homossexualidade feminina recebe, não vem só por parte dos heteros mais conservadores. Já ouvi muitos comentários repressores de “mentes mais abertas”, como simpatizantes ou bissexuais, coisas do tipo “mas você tem certeza?” ou “você está se limitando”. Engraçado, é que o homossexual masculino não é alvo disso. As pessoas levam os gays a sério, acham que eles fizeram sua opção e isto é, normalmente, imutável. Já as lésbicas estão numa fase, ou chateadas ou se limitando. E isto é um aspecto machista, pois fica evidente o pensamento de que uma mulher não pode viver sem um homem, ou para ser mais específica: um pênis.
É quase um ato de coragem assumir a homossexualidade feminina. Parece-me que ao fazer isso, colocam-te numa postura antiquada de “sempre rotular as coisas”. Pois me pergunto se isso seria necessariamente apenas um rótulo como qualquer outro rótulo de tribo urbana da juventude. Aconteceu-me de conhecer uma garota que ao apresentar suas ideologias políticas e sua militância, terminou por dizer “e sou lésbica”. Foi nesse momento que dei-me a resposta para minha pergunta:
Ser lésbica não é um rótulo ou uma limitação, ser lésbica é uma resistência. Assumir este nome é resistência, mesmo que individual.
17 de abril de 2010 às - |
porque rótulos são limites. limitar-se? resistir? é tão entranho todos esses parâmetros, confusões e limitações.
sinceramente, eu ainda não consigo entender algumas coisas e acredito que morrei sem entender.
mas eu concordo com tudo que você disse, do começo ao fim.
18 de abril de 2010 às - |
Rótulos são limites, você diz. Acredito que não usar nomes, para o que quer que seja, está mais para um medo do que esse nome pode incluir e a responsabilidade que, automaticamente, ele traz. Mas, talvez, esse não seja, necessariamente, o caso da sexualidade. Você sempre terá a opção de se relacionar com quem quiser independente do nome que assuma, por que simplesmente as pessoas não podem te impedir. Agora, que a monossexualidade seja uma limitação, eu discordo, prontamente. Porque preferência não é limitação. O caso que eu exponho no texto vai além do próprio nome, pois apresento uma exclusão cultural em torno da homossexualidade feminina, então assumir esta homossexualidade reconhecendo os enfrentamentos vindo da cultura machista-patriarcal, é sim, uma maneira de resitir, mesmo que individual. Portanto, quem assume isso, seria, é claro, quem sexual e afetivamente se indentifica com a monossexualidade lésbica. O texto não é, definitivamente, uma tentativa de fazer as pessoas escolherem um “lado” para ingressarem a uma luta, que não é integralmente sua. Faz parte, é claro, daqueles que apoiam e desejam uma sociedade diferente, mas não necessariamente, se incluem no grupo excluído, por não serem da caracerística deste grupo. Ou seja, um heteressexual pode apoiar o fim da violência contra os homossexuais e outras coisas que os concernem, mas ele não é um homossexual e não passa pelas mesmas coisas que este passa.
Por fim, resistir está ligado a uma opressão, pois se esta não existisse não haveria necessidade de resistir.